domingo, 16 de setembro de 2007

Vergonha e Luto.

Apenas hoje, quatro dias após a absolvição política do senador Renan Calheiros, consegui deixar o estado catatônico no qual tal fato me colocou. Infelizmente, mais uma vez nossos políticos democraticamente eleitos se posicionaram contra a Nação que os elegeu. O que pode ter ocorrido entre a aprovação da cassação do presidente (com letras minúsculas mesmo) do Senado por larga maioria no Conselho de Ética da Instituição e a sua rejeição pelo Plenário? Claro que podem ser levantadas várias hipóteses mas um fato é concreto: na Comissão de Ética o voto foi aberto e no Plenário foi secreto. Uma conclusão lógica é a de que alguns senadores (novamente em letras minúsculas mesmo) se aproveitaram da máscara do anonimato para produzir um episódio esdrúxulo, nitidamente corporativo, no qual um cidadão que cometeu uma enorme quantidade de delitos é inocentado pelo simples fato de ser um político bem relacionado.

Tal situação traz à baila uma questão ética muito importante: por que os políticos eleitos como representantes da nação podem se beneficiar do voto secreto em suas decisões? Será que eles não devem satisfação aos seus eleitores que, em princípio, deveriam ter meios de julgar se escolheram bem seus representantes? Ao meu ver, o voto secreto é justificável apenas quando pode produzir perseguições ideológicas, fato que o justifica nas eleições populares. No caso do voto dos Congressistas, ao contrário, a existência do voto secreto impede que o cidadão verifique se seus representantes honraram seus compromissos de campanha. Quando se vota em alguém, no fundo se está dando uma procuração em branco para o candidato. Será que enquanto eleitores não temos o direito de acompanhar a atuação de nossos eleitos, de modo a aprimorar a democracia com a contínua avaliação de nossos políticos? Claro que temos esse direito! Ele nos foi usurpado por políticos de pouco caráter que, para seu benefício próprio, expõem o Poder Legislativo a um descrédito monotônico. O que acho que eles ainda não perceberam é que, no limite, um Poder cujos membros não honram os compromissos que selaram com os seus eleitores, pode ter sua existência questionada. É nesses momentos que a Democracia pode ficar refém de políticos inescrupulosos sedentos por poder ilimitado. Tais momentos são prejudiciais à toda nação.