quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Educação e Desenvolvimento

Segundo o Dicionário da Língua Portuguesa de Silveira Bueno, Educação significa “Instrução, ensino, civilidade, polidez, cortesia”. Assim, em seu sentido amplo, educação significa muito mais do que nível de aprendizado técnico-científico: é uma medida, sobretudo, do grau de civilidade de uma Nação.

A Educação é um pré-requisito fundamental para o desenvolvimento sustentável de um País, pois é impossível alcança-lo sem que nela sejam feitos investimentos maciços. Uma Nação educada é mais exigente, reivindicando melhorias na gestão dos recursos públicos, de modo a haver um retorno adequado dos impostos em benefício de todos os cidadãos.  O incremento educacional de uma Nação produz, como reflexos imediatos, a diminuição das desigualdades sociais, a melhoria da saúde pública, da segurança e da infraestrutura do País, o que potencializa as condições necessárias ao seu progresso.

Dispêndios com educação pública são, na verdade, investimentos seguros no desenvolvimento futuro e não deveriam ser encarados como desperdício de recursos. Consequências desta afirmação estão espalhadas pelo mundo, como os casos do Japão, Coréia do Sul e China, apenas para exemplificar situações mais recentes. No Japão, a educação é levada tão à sério que o Imperador faz reverência aos professores, entendendo que todo o seu conhecimento pessoal deve-se aos ensinamentos de seus mestres.

É fácil constatar que os países subdesenvolvidos apresentam diversas características comuns: ausência de planejamento de longo prazo e de uma política de estado independente do governo instalado, grande instabilidade política, altos índices de analfabetismo, saúde pública em más condições, alarmantes índices de corrupção e, sobretudo, uma tendência contumaz de experimentar regimes de exceção, cujo fracasso em países desenvolvidos já foi plenamente demonstrado pela história. Não é sem razão que esses países ficam à mercê de “Salvadores da Pátria”, que se beneficiam da ignorância do povo para se perpetuarem no poder. Tais fatos produzem décadas de retardo no desenvolvimento desses países, comprometendo até os seus fundamentos democráticos.

Essas deficiências são, certamente, devidas à baixa qualidade da educação implantada nos países subdesenvolvidos, o que evidencia o investimento sério em educação como a única porta de entrada para o desenvolvimento sustentável.

Em nosso País, infelizmente, após a promulgação da Constituição de 1988 houve uma compartimentalização de responsabilidades quanto aos ensinos fundamental e médio, que passaram a ser financiados basicamente pelos municípios e estados, respectivamente. Ocorreu um efeito devastador! As escolas públicas, antes referências de qualidade, passaram a ter qualidade questionável. Investimentos em educação, em todos os seus níveis, deve ser obrigação conjunta de Municípios, Estados e País, enfim, de toda a Nação.

Outro fator igualmente preocupante é a baixa remuneração oferecida aos professores de ensinos públicos fundamental e médio, principalmente. Recentes levantamentos efetuados pela Universidade Federal de Uberlândia apontam os cursos de licenciatura, cuja função é formar professores, como os que apresentam os maiores índices de abandono e desistência.  É óbvio que os estudantes destes cursos consideram o baixo estímulo financeiro posterior à formatura, após estudar por 4 ou 5 anos e ter como perspectiva a de auferir um vencimento mensal inferior ao percebido por muitos profissionais diaristas, aos quais não é feita nenhuma exigência quanto ao grau de instrução. Em decorrência disso, hoje existem nas escolas públicas principalmente dois tipos de professores: os abnegados, que lutam de forma inglória contra o desmonte da educação, oferecendo bons cursos mesmo sem as condições de trabalho adequadas e os acomodados, que fingem que trabalham bem, na mesma proporção em que os estados e municípios fingem que os remuneram bem.

Os governos dotam as escolas com equipamentos modernos e bons computadores, sem oferecer o desejável treinamento dos professores. Na maioria dos casos, o que se vê é a subutilização das máquinas em redes sociais e jogos. Mais do que equipamentos, as escolas precisam de professores bem preparados e remunerados, pois, só assim, poderão desenvolver com tranquilidade sua vocação de formar pessoas. Educação se faz principalmente com pessoas, não com máquinas!

Recentemente, o governo federal fez grandes investimentos nas universidades públicas, em troca do aumento da oferta de vagas para os cursos de graduação: foi o chamado programa REUNI. Apenas na UFU, o número de estudantes saltou de 14 mil para quase 25 mil em pouco mais de 5 anos. Foram oferecidos, pelo governo federal, recursos materiais e humanos suficientes para o bom desenvolvimento do programa pelas instituições de ensino superior que a ele aderiram, tornando o REUNI um sucesso. Entretanto, com a queda na qualidade dos ensinos fundamental e médio públicos, caiu drasticamente o percentual de estudantes da rede pública que ingressam nas boas universidades do País. Ao invés de atacar o problema, que é a má formação dos estudantes da rede pública, os políticos, como sempre ávidos por soluções mágicas, criaram as cotas. Não tenho a menor dúvida de que as cotas agravarão ainda mais o problema da educação, pois remetem às universidades a responsabilidade pela correção das deficiências produzidas no ensino médio. Como será possível para elas corrigir tais falhas e ao mesmo tempo ministrar o conteúdo necessário para formar bons profissionais? Não vejo como isso possa acontecer. Profissionais mal formados, por sua vez, comprometerão o desenvolvimento, arriscando atirar nosso país no abismo tecnológico e social do subdesenvolvimento eterno.

Ainda no rol das soluções mágicas, recentemente foi decidida pelo governo federal, a importação de médicos como sendo a salvação da saúde pública no Brasil. Para tomar tal decisão, baseou-se o governo na falácia de que os médicos brasileiros, por arrogância, não querem trabalhar nos rincões afastados das capitais. Sob meu ponto de vista, tal afirmação, como sempre, desvia a atenção da população do verdadeiro problema: naqueles locais  não há infraestrutura básica para o desenvolvimento da boa medicina. Como exigir de um médico que ele prejudique sua carreira sem a menor possibilidade de fazer um trabalho digno? Porque não investir nesta infraestrutura primeiramente? A resposta é óbvia: em países subdesenvolvidos, investimentos em infraestrutura, que requerem longo prazo para surtir efeitos, não produzem votos em curto prazo. Pior do que importar médicos é fazê-lo de um país governado por um regime totalitário que claramente desrespeita os direitos humanos. Ainda pior é abrir mão da soberania nacional aceitando que tais médicos sejam submetidos a leis trabalhistas que não vigoram no Brasil. Se ainda não bastasse, ainda pior é não exigir a revalidação de seus diplomas, como se suas formações acadêmicas fossem inquestionavelmente melhores que as oferecidas pelas faculdades de medicina brasileiras. Tal dispensa não é feita nem para brasileiros que se graduam no exterior, aos quais é exigida a revalidação dos diplomas ao retornarem ao Brasil. Aonde está o tratamento isonômico garantido em nossa constituição?

Precisamos exigir não apenas mais investimentos para a educação, mas, sobretudo, responsabilidade na administração destes. Um povo educado não é enganado. Um povo educado torna-se crítico e dificilmente abandona seus ideais em troca de favores ou esmolas.

Precisamos buscar com firmeza o desenvolvimento de nossa Nação e parar de culpar terceiros pelos nossos fracassos. O Brasil é lindo e possui grandes riquezas naturais. Nosso povo é, em média, simpático, ordeiro e cortês. Para que possamos sonhar em ter um Brasil melhor, precisamos ter políticos à altura do que almejamos ser. Pense nisso no momento que estiver diante da urna eleitoral.