Segundo
o Dicionário da Língua Portuguesa de Silveira Bueno, Educação significa
“Instrução, ensino, civilidade, polidez, cortesia”. Assim, em seu sentido
amplo, educação significa muito mais do que nível de aprendizado
técnico-científico: é uma medida, sobretudo, do grau de civilidade de uma Nação.
A
Educação é um pré-requisito fundamental para o desenvolvimento sustentável de
um País, pois é impossível alcança-lo sem que nela sejam feitos investimentos
maciços. Uma Nação educada é mais exigente, reivindicando melhorias na gestão
dos recursos públicos, de modo a haver um retorno adequado dos impostos em
benefício de todos os cidadãos. O
incremento educacional de uma Nação produz, como reflexos imediatos, a
diminuição das desigualdades sociais, a melhoria da saúde pública, da segurança
e da infraestrutura do País, o que potencializa as condições necessárias ao seu
progresso.
Dispêndios
com educação pública são, na verdade, investimentos seguros no desenvolvimento futuro
e não deveriam ser encarados como desperdício de recursos. Consequências desta
afirmação estão espalhadas pelo mundo, como os casos do Japão, Coréia do Sul e
China, apenas para exemplificar situações mais recentes. No Japão, a educação é
levada tão à sério que o Imperador faz reverência aos professores, entendendo
que todo o seu conhecimento pessoal deve-se aos ensinamentos de seus mestres.
É
fácil constatar que os países subdesenvolvidos apresentam diversas
características comuns: ausência de planejamento de longo prazo e de uma
política de estado independente do governo instalado, grande instabilidade
política, altos índices de analfabetismo, saúde pública em más condições, alarmantes
índices de corrupção e, sobretudo, uma tendência contumaz de experimentar
regimes de exceção, cujo fracasso em países desenvolvidos já foi plenamente
demonstrado pela história. Não é sem razão que esses países ficam à mercê de
“Salvadores da Pátria”, que se beneficiam da ignorância do povo para se
perpetuarem no poder. Tais fatos produzem décadas de retardo no desenvolvimento
desses países, comprometendo até os seus fundamentos democráticos.
Essas
deficiências são, certamente, devidas à baixa qualidade da educação implantada nos
países subdesenvolvidos, o que evidencia o investimento sério em educação como a
única porta de entrada para o desenvolvimento sustentável.
Em
nosso País, infelizmente, após a promulgação da Constituição de 1988 houve uma
compartimentalização de responsabilidades quanto aos ensinos fundamental e
médio, que passaram a ser financiados basicamente pelos municípios e estados,
respectivamente. Ocorreu um efeito devastador! As escolas públicas, antes
referências de qualidade, passaram a ter qualidade questionável. Investimentos
em educação, em todos os seus níveis, deve ser obrigação conjunta de
Municípios, Estados e País, enfim, de toda a Nação.
Outro
fator igualmente preocupante é a baixa remuneração oferecida aos professores de
ensinos públicos fundamental e médio, principalmente. Recentes levantamentos
efetuados pela Universidade Federal de Uberlândia apontam os cursos de
licenciatura, cuja função é formar professores, como os que apresentam os
maiores índices de abandono e desistência. É óbvio que os estudantes destes cursos
consideram o baixo estímulo financeiro posterior à formatura, após estudar por
4 ou 5 anos e ter como perspectiva a de auferir um vencimento mensal inferior
ao percebido por muitos profissionais diaristas, aos quais não é feita nenhuma
exigência quanto ao grau de instrução. Em decorrência disso, hoje existem nas
escolas públicas principalmente dois tipos de professores: os abnegados, que lutam de forma inglória
contra o desmonte da educação, oferecendo bons cursos mesmo sem as condições de
trabalho adequadas e os acomodados,
que fingem que trabalham bem, na mesma proporção em que os estados e municípios
fingem que os remuneram bem.
Os
governos dotam as escolas com equipamentos modernos e bons computadores, sem
oferecer o desejável treinamento dos professores. Na maioria dos casos, o que
se vê é a subutilização das máquinas em redes sociais e jogos. Mais do que
equipamentos, as escolas precisam de professores bem preparados e remunerados,
pois, só assim, poderão desenvolver com tranquilidade sua vocação de formar
pessoas. Educação se faz principalmente com pessoas, não com máquinas!
Recentemente,
o governo federal fez grandes investimentos nas universidades públicas, em
troca do aumento da oferta de vagas para os cursos de graduação: foi o chamado programa
REUNI. Apenas na UFU, o número de estudantes saltou de 14 mil para quase 25 mil
em pouco mais de 5 anos. Foram oferecidos, pelo governo federal, recursos
materiais e humanos suficientes para o bom desenvolvimento do programa pelas
instituições de ensino superior que a ele aderiram, tornando o REUNI um sucesso.
Entretanto, com a queda na qualidade dos ensinos fundamental e médio públicos,
caiu drasticamente o percentual de estudantes da rede pública que ingressam nas
boas universidades do País. Ao invés de atacar o problema, que é a má formação
dos estudantes da rede pública, os políticos, como sempre ávidos por soluções mágicas,
criaram as cotas. Não tenho a menor dúvida de que as cotas agravarão ainda mais
o problema da educação, pois remetem às universidades a responsabilidade pela
correção das deficiências produzidas no ensino médio. Como será possível para
elas corrigir tais falhas e ao mesmo tempo ministrar o conteúdo necessário para
formar bons profissionais? Não vejo como isso possa acontecer. Profissionais mal
formados, por sua vez, comprometerão o desenvolvimento, arriscando atirar nosso
país no abismo tecnológico e social do subdesenvolvimento eterno.
Ainda
no rol das soluções mágicas, recentemente foi decidida pelo governo federal, a
importação de médicos como sendo a salvação da saúde pública no Brasil. Para
tomar tal decisão, baseou-se o governo na falácia de que os médicos brasileiros,
por arrogância, não querem trabalhar nos rincões afastados das capitais. Sob
meu ponto de vista, tal afirmação, como sempre, desvia a atenção da população
do verdadeiro problema: naqueles locais não há infraestrutura básica para o
desenvolvimento da boa medicina. Como exigir de um médico que ele prejudique
sua carreira sem a menor possibilidade de fazer um trabalho digno? Porque não
investir nesta infraestrutura primeiramente? A resposta é óbvia: em países
subdesenvolvidos, investimentos em infraestrutura, que requerem longo prazo
para surtir efeitos, não produzem votos em curto prazo. Pior
do que importar médicos é fazê-lo de um país governado por um regime totalitário
que claramente desrespeita os direitos humanos. Ainda pior é abrir mão da
soberania nacional aceitando que tais médicos sejam submetidos a leis
trabalhistas que não vigoram no Brasil. Se ainda não bastasse, ainda pior é não
exigir a revalidação de seus diplomas, como se suas formações acadêmicas fossem
inquestionavelmente melhores que as oferecidas pelas faculdades de medicina brasileiras.
Tal dispensa não é feita nem para brasileiros que se graduam no exterior, aos
quais é exigida a revalidação dos diplomas ao retornarem ao Brasil. Aonde está
o tratamento isonômico garantido em nossa constituição?
Precisamos
exigir não apenas mais investimentos para a educação, mas, sobretudo,
responsabilidade na administração destes. Um povo educado não é enganado. Um
povo educado torna-se crítico e dificilmente abandona seus ideais em troca de favores
ou esmolas.
Precisamos
buscar com firmeza o desenvolvimento de nossa Nação e parar de culpar terceiros
pelos nossos fracassos. O Brasil é lindo e possui grandes riquezas naturais.
Nosso povo é, em média, simpático, ordeiro e cortês. Para que possamos sonhar
em ter um Brasil melhor, precisamos ter políticos à altura do que almejamos
ser. Pense nisso no momento que estiver diante da urna eleitoral.